Cobertura 4G cresce no país, mas está longe da meta

Fonte: InvestNE, publicado em 22 de Agosto de 2013


Nesta semana, a Anatel disse que considera antecipar as metas de universalização dos serviços de telefonia 3G e 4G no Brasil.

 

As operadoras de telefonia móvel do país dificilmente atingirão neste ano a projeção de 4 milhões de usuários para o 4G feita pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), disseram as principais empresas do setor que, no entanto, já conseguiram antecipar metas de cobertura.

 

Em abril, o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, previu que o número de usuários de 4G chegaria a 4 milhões neste ano, volume que foi ratificado na terça-feira (20/8) pelo vice-presidente da agência, Jarbas Valente.

 

"Mantemos a meta, principalmente porque os últimos meses do ano costumam vender mais", disse Valente. Até junho, porém, o volume de usuários da Internet móvel de quarta geração somou 174 mil no país, segundo números da própria Anatel.

 

Com a maior penetração no 4G, mercado no qual detém fatia de 46,8%, a Telefônica Brasil, dona da Vivo, tem 82 mil clientes, desde que iniciou a oferta, em 30 de abril.

 

"Dificilmente o mercado vai ter 4 milhões de usuários neste ano. Estamos colocando a rede, os aparelhos disponíveis são 'premium', mas ainda são aparelhos não massificados em relação a valor", disse Christian Gebara, diretor-executivo de mercado individual da Vivo.

 

Na Vivo, os aparelhos com tecnologia 4G custam em média R$ 600, dependendo do plano contratado. O executivo disse que o 4G está dentro da estratégia da Vivo de dar ênfase à Internet móvel, mas que ainda é preciso investir no 3G.

 

"Trabalhamos para poder colocar mais antenas, existe toda uma negociação com as prefeituras e diferentes órgãos ambientais", declarou Gebara, verbalizando uma reclamação comum às operadoras.

 

Nesta semana, a Anatel disse que considera antecipar as metas de universalização dos serviços de telefonia 3G e 4G no Brasil. A meta para o 3G, definida atualmente para 2017, pode ser encurtada em um ou dois anos, enquanto a do 4G, de 2019, pode ser antecipada em um ano, disse Rezende.

 

Para a diretora da regional leste (RJ, ES, BA e SE) da Vivo, Luciene Dias, a antecipação das metas precisa vir acompanhada de uma mudança nas legislações sobre instalação de antenas. Uma proposta para normatizar a instalação dos equipamentos, apoiada pelo governo, tramita no Congresso Nacional.

 

"As legislações são muito restritivas em termos de espaço e localização de antenas. Ao se rever essa legislação, temos espaço para crescer", afirmou.

 

Mesmo assim, as quatro principais operadoras do país estão adiantadas no cumprimento da meta da Anatel de cobrir com 4G as cidades-sedes e subsedes da Copa do Mundo até 31 de dezembro.

 

A Vivo está em 34 cidades e deve chegar a 60 até o fim do ano. A próxima cidade a receber a tecnologia é Florianópolis, e em breve o serviço chegará a Manaus, disse Gebara. No Estado de São Paulo, a operadora está em 19 cidades.

 

Para a TIM Participações, o compartilhamento de infraestrutura com a Oi permitiu que a operadora também se adiantasse no cumprimento das metas.

 

Atualmente, a cobertura do 4G da TIM está em oito cidades, incluindo as seis que foram sedes da Copa das Confederações (Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza), mais São Paulo e Curitiba.

 

A intenção da TIM é atingir 80 por cento de cobertura urbana com 3G até 2015, enquanto o 4G deve deslanchar depois. "A gente acha que tem uma enorme oportunidade no 4G, talvez ela vá acontecer um pouco mais pra frente", disse Ferreira.

 

"Ainda temos algumas limitações na forma de como o 4G existe hoje, principalmente pela questão de ter ainda uma cobertura relativamente pequena por parte de todas as operadoras, e custo de aparelhos muito alto", disse.

 

A TIM projeta investir 3,6 bilhões de reais neste ano, incluindo R$ 500 milhões para o 4G, explicou o executivo, também endossando a necessidade de se investir em 3G.

 

"Haverá um processo natural de evolução para o 4G, que pode tomar um pouco mais de tempo, talvez não seja tão rápido quanto todo mundo estava esperando", afirmou Ferreira.